janeiro 23, 2005

"A escrita literária não é de forma alguma a expressão do eu..." - Mário Perniola

"A escrita literária não é de forma alguma a expressão do eu, mas sim a perda da individualidade, o apagamento do sujeito, o ingresso num espaço enigmático. Daí a sua afinidade com a morte, que é justamente o alheamento radical, a suspensão de qualquer equivalência, a inconveniência máxima. O enigma da palavra literária consiste no facto de conter dois movimentos opostos: o primeiro dirige-se para a dissimulação e para o trânsito, o segundo para a auto-referência, para o colocar-se a si próprio como coisa neutra e irredutível".

Mário Perniola, Enigmas. O momento egípcio na sociedade e na arte, Lisboa, Bertrand, 1994, pp.117-118.

1 comentário:

Joao Otavio disse...

Parabéns por postar sobre isso porque eu precisa fazer um trabalho sobre literatura escrita e você foi um único que eu achei em todos o sites que procurei. Valeu